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“Mas afinal o que assinaram em Roma há 60 anos?”

Março 27, 2017

O atual Tratado da União Europeia foi negociado num convento belga. A primeira versão, que mais tarde seria tantas vezes emendada até ao Tratado de Lisboa, foi terminada no início de 1957. Escolheu-se um local e uma data — Roma, 25 de março — para a sua assinatura por três presidentes e três monarcas dos seis países fundadores da UE.

Tomadas estas decisões, um funcionário da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço foi metido num comboio a partir do Luxemburgo. Levava com ele o texto do tratado e as máquinas de mimeografia que então se usavam para imprimir as cópias que seriam solenemente assinadas em Itália. Mas quando chegou à fronteira da Suíça este primeiro eurocrata ouviu um barulho na sua carruagem que prenunciava o pior. Sem que ninguém se tivesse lembrado disso, havia então uma lei suíça que determinava que as carruagens de mercadorias e as de passageiros fossem separadas e seguissem caminhos diferentes. O pobre homem lá perdeu um tempo precioso a localizar as máquinas de mimeografia e chegou à capital italiana já muito próximo da data da assinatura do tratado.

Era preciso tratar de tudo o mais depressa possível. Mas aí, novo contratempo. A sala onde era suposto instalarem-se os mimeógrafos, num palácio italiano, tinha as paredes cobertas com magníficas pinturas a fresco. Ora aquelas máquinas tinham o problema de espalharem tinta por todo o lado e os italianos não tinham dinheiro para restaurar os frescos depois. Foi preciso mudá-las para uma cave e encontrar estudantes italianos e secretárias vindas do Luxemburgo para compor rapidamente as matrizes para o texto. Mas os problemas ainda não tinham acabado: a cave era demasiado húmida e as folhas impressas demoravam muito tempo a secar. A única solução foi atapetar o chão com as páginas do futuro tratado da CEE e deixá-las repousar durante a noite.

Finalmente, de madrugada a sala foi aberta pelas empregadas da limpeza do edifício. Estas, encontrando o chão juncado de papelada, deitaram tudo para o lixo. Incluindo as matrizes que permitiriam imprimir novas cópias. Quando os já desesperados antepassados de eurocratas deram por isso, lançaram-se numa busca frenética pelos caixotes de lixo de Roma. Sem resultado. A solução acabou por ser imprimir apenas a folha de rosto com os nomes dos signatários e das respetivas “altas partes contratantes”, recolher as cópias logo após a assinatura, e confiar que ninguém contasse aos jornalistas.

O segredo foi guardado durante 50 anos. Até que há dez anos o secretário de Jean Monnet, Jean-Jacques Rabier, decidiu contar esta história inacreditável (mas, ao que tudo indica, verdadeira) com o intuito de humanizar os primeiros tempos do projeto europeu e explicar que não, nunca foi fácil desde o início. – Rui Tavares. Ler texto completo no Público.

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2 comentários leave one →
  1. maria permalink
    Março 27, 2017 20:06

    🙂

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