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O Tratado de Roma faz hoje 60 anos. Celebremos

Março 25, 2017

UMA OBSCENIDADE CONSENTIDA

Devo dizer que acho obsceno que alguém cobre a alguém uma taxa de juro de 10,75 % quando os bancos se financiam a taxas próximas de zero. No século XXI o agiotismo já não deveria ser permitido. Muito menos organizado, como de facto é, num jogo fechado entre políticos, altos funcionários da UE e instituições financeiras. O agiotismo não devia ser permitido, sobretudo em operações com plena cobertura garantida. A CGD vale mais do que os 500 milhões € que foi buscar “ao mercado”. Portugal, o último garante do empréstimo, vale mais do que esses 500 milhões €. Vejamos, porém, o que realmente se passou: a decisão de levar a CGD a aceitar uma operação fechada, obrigatoriamente reservada a um grupo de investidores – que facilmente pode fixar entre si as taxas de juro – foi uma imposição da Comissão Europeia, pela mão da DGComp, com o alto patrocínio do BCE. Essa decisão premiou imoralmente com um brinde (juro de 10,75 %) um cartel, um grupo restrito de “fundos abutres” […]. Esse prémio é extorquido à CGD, instituição de um um país-membro. Esse assalto aos recursos portugueses é da autoria do BCE e da Comissão Europeia, pela mão da toda-poderosa DGComp, onde, como se sabe, impera o poder financeiro alemão. Foi esse triunvirato que impôs à CGD uma espécie de castigo: ir “ao mercado” buscar 500 milhões € a um juro agiota (10,75 %) como condição prévia para o Tesouro português poder financiar a Caixa com os restantes 2.500 milhões €, obtidos no mercado de dívida a juros que oscilarão entre 1 e 4,5 %, consoante resultem de emissões a 1 ano ou a 10 anos. Porém, antes disso, Bruxelas tratou de impor à CGD um esquema que a forçou a pagar um juro agiota (10,75 %) pelos primeiros 500 milhões €. Compareceram ao banquete 160 abutres, que se prontificaram a investir o triplo do montante que a CGD pretendia. Pudera ! Tal foi a dimensão obscena do brinde que os patrões da UE entenderam dar a um grupo restrito de investidores. Palavras para quê ? Afinal, não foi o mesmíssimo triunvirato da UE que forçou, pela mesma via, vários bancos italianos a pagarem mais de 9 % ce juro anual aos mesmíssimos abutres, por empréstimos semelhantes ? E não foi o mesmíssimo triunvirato da UE que acaba de obrigar, pela mesma via, o espanhol Banco Popular – que até tem um ‘rating’ melhor do que a CGD – a pagar 12 % de juro anual aos mesmíssimos abutres, por um empréstimo semelhante ? Ao cabo de 60 anos, temos uma União Europeia dominada pela ganância. Nada me indigna mais do que essa obscenidade consentida. – Carlos Vargas no facebook.

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