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A Noite da Iguana

Fevereiro 12, 2017

Joana Bárcia in “A noite da iguana” de Tennessee Williams, Encenação Jorge Silva Melo, Prod. Artistas Unidos

Há um filme de Mel Brooks em que o actor em palco quando se prepara para dizer em tom dramático “to be or not to be…” é interrompido todas as noites por um espectador da primeira fila que chega sempre atrasado e pede em voz alta “com licença, com licença”. Estraga-lhe diariamente o tão esperado momento.

Nas salas de teatro deviam exigir à entrada, para além do bilhete, uma micro-radiografia (é mais portátil) aos pulmões e tuberculosos não entrariam. Costumo dizer que quem quiser saber onde estou numa sala de espectáculos, é fácil, estou sempre à frente ou ao lado do tuberculoso da noite. Sou achacado à claque dos tossidores profissionais.

Contudo, ontem n’«A Noite da Iguana» em cena no S. João (porto) iam ter dificuldade em encontrar-me. Estavam lá todos os tuberculosos da região Norte. Por várias vezes tive de ler no ‘display’ em inglês o que disseram os actores. Os tuberculosos têm um pontaria desgraçada, escolhem sempre o momento certo para lançar o morteiro. É tiro e queda, fica tudo surdo, ninguém ouve.

A peça passa-se no México com um calor infernal. Neste aspecto adorei a interactividade da encenação. Estava tamanho calor na sala que fiquei com a língua em cartão. Quando os actores bebiam cerveja em cena estive prestes a saltar para o palco e pedir encarecidamente de joelhos um golinho, só um um, por favor! que nem um desesperado depois de atravessar o deserto do Kalahari.

Até estou à vontade para falar disto, porque adoro salas quentes. O frio desconcentra-me. Mas nem oito nem oitenta. Da próxima vez levo um sobretudo e por baixo calções e t-shirt. Mais bronzeador.

No final da primeira parte da peça chove em cena. Aqui é que estive mesmo mesmo para saltar para o palco. Ah! Água fresquinha que bom!! Corri até ao fresco da noite.

Depois deste relato dramático (a hipérbole é uma figura de estilo tão legítima como outra qualquer) que só serviu para chamar a vossa atenção, resta-me recomendar a peça com o selo de qualidade do Jorge Silva Melo. Adorei a Joana Bárcia.

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