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“Chance”

Janeiro 24, 2017

«Era Domingo. Chance estava no jardim. Movia-se com lentidão, arrastando a mangueira verde de um carreiro para outro, e observando cuidadosamente o fluxo de água. De forma muito delicada, deixou que o fio de líquido tocasse cada planta, cada flor, cada ramo do jardim. As plantas eram como as pessoas, precisavam de carinho para viverem, para se curarem das suas maleitas e para morrerem em paz.
E, no entanto, as plantas era diferentes das pessoas. Nenhuma planta é capaz de pensar ou de se conhecer; nenhuma possui um espelho no qual possa ver reflectido o seu rosto; apenas cresce, e o seu crescimento não tem qualquer sentido, pois uma planta não pode fazer uso da razão ou do sonho.
No jardim, estava-se resguardado e seguro. Um muro alto de tijolo vermelho, coberto de hera, separava-o da rua, e nem mesmo os sons dos carros que passavam podiam perturbar aquela paz. Chance desconhecia as ruas. E, ainda que nunca tivesse posto o pé fora da casa e do seu jardim, não sentia curiosidade pela vida do outro lado do muro.»

Chance, Jerzy Kosinski (Trad. Pedro Piedade, Ed. Livros de Areia)

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