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Jet leg literário

Maio 19, 2016

Poucas vezes me aconteceu isto, aliás, já nem me lembro da última vez que me aconteceu. Corrijo, acho que nunca me aconteceu. Estava a ler um livro e, apesar de estar a gostar muito, tive de parar a leitura. Faltava-me apenas uma dezena de páginas para acabar, mas não consegui. Ainda estou a tentar perceber o que aconteceu. Uma possível explicação terá que ver com a última leitura. Tinha lido Henry James e aquilo tinha-me soado tão seco, tão desenxabido, tão sem emoções, que o vazio se havia instalado. Passar deste tipo de leitura para Tolstoi assim de chofre sem nada a intermediar deve ter provocado um terramoto emotivo cá dentro. Polikuchka, o enforcado, o título já anuncia algo, é como estarmos a ver um acidente em directo. E depois o cabrão do Tolstoi domina aquilo com tamanha mestria que ficamos agarradinhos. Manipula-nos os sentimentos, apela não à lágrima, mas à alma, vai cá dentro e remexe, remexe, escarafuncha e nós ficamos a ver o acidente a acontecer. Polikuchka, o mais desgraçado dos desgraçados tinha uma oportunidade. Uma só. Há tipos com sorte e há outros filhos de um cão danado que nasceram para sofrer. Ainda não terminei a leitura, vou tentar mais logo. Cabrão do russo…

Adenda: Entretanto já terminei a leitura do livro de Tolstoi. Concluí que tudo não passou de um jet leg literário.

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