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Honra corsa

Abril 30, 2016

«- Bom, esta criança é a primeira pessoa do meu sangue que comete uma traição.
Os soluços e os suspiros de Fortunato era cada vez maiores e Falcone continuava com os olhos de lince fixos nele… Por fim, bateu no chão com a coronha da espingarda, depois atirou-a para o ombro e, retomando o caminho do maquis, gritou para Fortunato que o seguisse. A criança obedeceu.
Giuseppa correu para Mateo e agarrou-o por um braço.
– É teu filho – disse-lhe, com voz trémula, cravando os olhos negros nos do marido como se quisesse ler neles o que lhe ia na alma.
– Deixa-me – respondeu Mateo  – sou pai dele.
Giuseppa beijou o filho e entrou a chorar na cabana. Lançou-se aos pés de uma imagem da Virgem e rezou fervorosamente. Entretanto Falcone dera duzentos passos no carreiro e parara num pequeno barranco, a que desceu. Sondou a terra com a coronha da espingarda e achou-a mole, fácil de cavar. O sítio pareceu-lhe bem para o propósito que o trazia.
– Fortunato, chega-te para aquela pedra grande.
O pequeno fez o que lhe ordenavam e depois ajoelhou-se.
– Reza as tuas orações.
– Meu pai, meu pai, não me mate.»

Mateo Falcone, Prosper Mérimée (Tradução de Maria Dias, Ed. QuidNovi)

[excerto de conto incluído aqui]

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