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Literatura na prisão

Novembro 29, 2015

Excertos retirados de um pequeno livro sobre um professor de literatura numa prisão em França. O autor vai relatando a sua experiência de 11 anos através de fotografias de palavras. Dois exemplos:

“As manifestações de estudantes universitários e do ensino secundário que passavam invariavelmente em frente dos muros da cerca da prisão e gritavam sempre ao mesmo ritmo: “Libertem os nossos colegas! Libertem os nossos colegas!” O grande Raymond K. ouvia-os enquanto anotava num caderno de lombada em espiral os meus comentários sobre Viagem ao Fim da Noite, e acabava por dizer numa voz arrastada, sem levantar a cabeça: “Idiotas”. (pp. 46-47)

“O islão mal digerido de muitos prisioneiros que se descobriam muçulmanos durante o encarceramento. Nas paredes encardidas ressoavam as suas orações aproximativas e os exaltados períodos de Ramadão. A identidade pan-arabista. A minha dificuldade em convencer um turco de que ele não era árabe. “Está a insultar os meus antepassados!”, acabara por me responder, batendo com a porta.” (p. 71)

O barulho das chaves“, Philippe Claudel (Trad. Isabel St. Aubyn, Ed. Asa)

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