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Reunidos os sentidos, surge a alma. Era preciso esperar por ela

Novembro 26, 2015

«Tive uma surpresa: depois de muito trabalho, ao harmonizar os dados, deparei com pessoas reconstituídas, que desapareciam se eu desligasse o aparelho projector, viviam apenas os momentos passados quando se captara a cena e, ao terminarem estes, voltavam a repeti-los, como se fossem partes de um disco ou de um filme que, ao acabar, voltasse a começar, mas que, para ninguém, podiam distinguir-se das pessoas vivas (vêem-se como que circulando noutro mundo, fortuitamente abordado pelo nosso). Se concedemos a consciência, e tudo o que nos distingue dos objectos, às pessoas que nos rodeiam, não poderemos negar o mesmo às criadas pelos meus aparelhos, com nenhum argumento válido e exclusivo.
Reunidos os sentidos, surge a alma. Era preciso esperar por ela.» (p. 84)

A invenção de Morel [La invención de Morel], Adolfo Bioy Casares (Tradução de Miguel Serras Pereira, Ed. Antígona)

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