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Palhaço Augusto vs Palhaço Branco

Agosto 11, 2015

Hans Hartung, «T 1956/7»

«”O que é a solidão do poeta?”, perguntaram imediatamente após a guerra, há mais de meio século atrás, ao jovem Paul Celan, o meu conterrâneo bucovinense. “Um número de circo não anunciado”, respondeu o poeta.
Uns palhaços, era isso que me pareciam os meus amigos e eu próprio, ao debatermo-nos nas lutas e cambalhotas do quotidiano. Como o Palhaço Augusto, a alcunha com que o Dr. Hartung mimava o filho, o futuro pintor Hans Hartung. O pai cuidadoso e brincalhão intuira a natureza do artista inadaptado ao quotidiano, em que os seus semelhantes ofereciam e recebiam as porções do concreto comestível, um Cavaleiro da Triste Figura sonhando com outras regras e recompensas, procurando compensações solitárias para o papel que, querendo ou não, encarna.
Inevitavelmente, o Palhaço Augusto confronta-se na arena pública com o Palhaço Branco, que, por sua vez, representa o Poder, a Autoridade. Toda a comédia humana se pode ver no encontro entre estes dois protótipos. A história do Circo enquanto História…»

O Regresso do Hooligan, Norman Manea (Trad. Carolina Martins Ferreira, Ed. Asa)

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