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“Génesis”

Março 10, 2015

dsc© MCS

«Já era tarde, claro,
e só estávamos nós os dois à mesa
a acabar uma segunda garrafa de vinho

quando especulaste se Eva tinha sido criada primeiro
e Adão tinha começado como uma costela
que brotara do seu torso numa paradisíaca tarde.

Talvez, lembro-me de dizer,
porque muita coisa era possível naquela altura,
e mencionei-lhe a cobra que falava
e as girafas com o pescoço a sair da arca,
os seus narizes sob a chuva torrencial do Velho Testamento.

Aprecio um homem de mente flexível, disseste então,
levantando na minha direcção o teu copo iluminado pelas velas
e eu levantei o meu e comecei a pensar

que tal seria viver como uma das tuas costelas –
nunca me separar de ti,
caminhar debaixo da tua blusa e da tua pele
enjaulado debaixo do suave peso dos teus seios,
a tua costela preferida, certamente,
se algum dia te desses ao trabalho de as contar,

precisamente o que eu fiz mais tarde nessa noite,
depois de teres adormecido
e estarmos perfeitamente encaixados um no outro,
as tuas longas pernas contra a extensão das minhas,
os meus dedos fazendo a doida enumeração que nasce do amor.»

Amor Universal, Billy Collins (Trad. Ricardo Marques, Ed. Averno, pp. 164-165)

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