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“Outono Escaldante”, Zurlini

Janeiro 5, 2015

Outono Escaldante, Zurlini  1

La prima notte di quiete“, (1972), Real. Valerio Zurlini

Mais uma obra-prima de Zurlini. O título do filme é retirado de uma frase (verso?) de Goethe. A sinopse é simples. Um professor substituto (vai dar apenas uns meses de aulas) apaixona-se por uma aluna de 19 anos, mas o passado intromete-se entre eles. Aqui nós pensamos: é só isto? Resposta: é e não é. Quando perceberem que um grande filme não é apenas uma boa história, é muito mais do isso, depois falamos. O Início é belíssimo conforme se pode ver aqui.

Dos filmes de Zurlini que vi, este é talvez o mais erudito (sim, em itálico), veja-se a apresentação no primeiro dia de aulas do tal professor:

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Depois basta atentar no nome da belíssima aluna, Vanina:

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Mais tarde surge-nos a pintura em Monterchi, “Madonna del Parto” de Piero della Francesca.

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Já em Monterchi o professor passa a descrever o fresco à aluna:

Madonna del Parto de Piero della Francesca

«Em 1460, a comunidade de Monterchi encomendou a Piero [de la Francesca] esta “madonna”. Os autores da encomenda não eram Papas, nem príncipes, nem banqueiros e pode dizer-se que no início Piero começou a trabalhar um pouco desconfiado… Apesar disso… eis que o milagre dessa adolescente camponesa altera com a filha de um rei… o silêncio do campo em seu redor é completo. Até agora provavelmente ter-se-á divertido a confidenciar com os seus animais, chama-os pelo nome. E ri-se… Um pouco depois está já tudo acabado. Através dos séculos. o destino escolheu a sua pureza. Parece estar bem inserida, mas não está feliz. Talvez já sinta obscuramente que a vida misteriosa que dia após dia cresce nela, acabará numa cruz romana como um qualquer malfeitor. E alguns séculos depois, um grande poeta [Dante, “A Divina Comédia”, Canto  XXXIII – Paraíso] dirigir-se-á a ela com estas palavras: Virgem mãe, filha do teu filho, criatura mais alta e humilde, término fixo de um eterno conselho, tu és a natureza humana, a nobreza é o teu factor, não desdenho que provavelmente não entendeste.” Provavelmente nem ela perceberia.»

Após esta bela descrição, Vanina pergunta ao professor:

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E entra o passado:

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Mais à frente temos Goethe neste diálogo:

– O que é o Verão indiano?
– O Verão de S. Martinho. O último calor antes do Inverno.
– Por que é que a morte é a primeira noite de sossego?
– Porque finalmente se dorme sem sonhar.
– Tens a certeza?
– Humm, humm.
– E quem é o barqueiro dos mortos?
– Caronte.
– E por que é que se paga um óbolo ao guarda do Santuário do nevoeiro?
– Se visitas um museu, pagas um bilhete.

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Cita uns versos do livro do professor:

“Não existe caminho para o encontro,
o que me será mais doce na vida, minha querida.
A nós devemos deixar a decisão feroz
que deixa para trás os confins invioláveis do frio.»

Uma nota final. E como a música é sempre personagem importante nos filmes de Zurlini:

A música, belíssima, é de Mario Nascimbene numa interpretação de Maynard Ferguson (trompete) e Gianni Basso (sax tenor). Na procura da banda sonora deste filme encontrei o LP a 110 euros!! Porra!

[“Vanina Vanini“, Stendhal]

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13 comentários leave one →
  1. Janeiro 5, 2015 19:31

    É tudo muito (oh, se é :), mas tu pensas que temos um ano lectivo inteiro para assimilar tamanho post?

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    • Janeiro 5, 2015 19:49

      Lê-se rápido, tem muitas imagens 🙂
      O ano começou agora, por isso, tens muito tempo 🙂

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  2. Janeiro 5, 2015 20:00

    Para complementar a excelente análise ao filme. A pintura “Madonna del parto” de Piero de la Francesca nesta belíssima sequência do filme Nostalghia de Andrei Tarkovski:

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    • Janeiro 5, 2015 20:22

      Magnífica sequência. Vi esse filme do Tarkovski, mas na altura passou-me ao lado a pintura do Piero della Francesca.

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  3. Inês permalink
    Janeiro 5, 2015 20:27

    Belo post Marco. És um verdadeiro “passador” 🙂

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  4. Fevereiro 9, 2015 16:53

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