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“O Barulho das Chaves”

Setembro 25, 2014

«No passeio, na primeira vez que saí da prisão, não consegui começar a caminhar de imediato. Deixei-me estar, alguns minutos, imóvel. Pensava que, se quisesse, podia deslocar-me para a esquerda, ou para a direita, ou ainda sempre em frente, e que ninguém teria nada a dizer. Pensava ainda que, se quisesse, podia ir beber uma cerveja, um Ricard, ou ainda um cappuccino num qualquer café, ou então regressar a casa e tomar um duche, dois duches, três duches, tantos duches quantos quisesse. Compreendi nesse momento que fruíra até então de uma liberdade da qual ignorava a extensão e as aplicações mais comuns, ou mesmo a exacta e quotidiana dimensão.

O chefe dos guardas escolhia os livros que os reclusos podiam encomendar. Festim Nu nunca entrou no recinto da prisão: o título levara-o a suspeitar de um livro subversivo. Um dia, confessou-me que nunca lia. Preferia a caça e a “música clássica”, sobretudo a de Strauss.

O Barulho das Chaves [Le bruit des trousseaux], Philippe Claudel (Tradução de Isabel St. Aubyn, Ed. Asa)

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  1. Setembro 25, 2014 16:00

    é simplesmente magnífico, boa escolha 🙂

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    • Setembro 25, 2014 16:06

      Ainda não li, mas com um início destes promete.

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  1. Literatura na prisão | No Vazio da Onda

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