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“Retrato de um rapaz flamejante”

Maio 20, 2013

leituras

A reacção do António Guerreiro deve ter sido esta quando leu o livro do Pitta. Alguns excertos:

Ele veio para introduzir as delícias da frivolidade, do artifício e do hedonismo, reinterpretados neste livro à maneira do parvenu.

Como é que ele segue os preceitos da distinção? Exibindo os seus hábitos como reivindicação de uma pose requintada, muito particularmente na descrição e nomeação dos hotéis e dos restaurantes que frequenta (há páginas e páginas que, autonomizadas, dariam para fazer um guia), sempre referidos com a familiaridade do habitué;

(…) acaba por ter um lado involuntariamente cómico, quando não desliza para o mau gosto. Veja-se, por exemplo, como relata o momento em que soube da morte de Fernando Assis Pacheco: “No dia em que morreu, eu estava em Madrid. Soube da notícia ao jantar, no Lhardy. Joana Serpa Pinto chegou à Calle de San Jeronimo atrasada como de costume. Tinha estado ao telefone com a mãe. Soube então que ele morrera, a ‘entrar ou a sair’ da Buchholz. Metade da perdiz ficou no prato.” Como diria Barthes, se esta frase fosse uma fotografia: o punctum está obviamente na perdiz e não no Assis Pacheco..

[artigo completo aqui] Entretanto já foi publicado no site do Ípsilon.

[imagem: “O escritor fantasma” (2010), Roman Polanski]

11 comentários leave one →
  1. Ana Cristina Leonardo permalink
    Maio 20, 2013 22:37

    🙂

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  2. Maio 20, 2013 23:41

    Quando li, na passada sexta-feira, pensei: brutal. Folheando o livro, pensei: justíssimo. As últimas linhas do texto de António Guerreiro são particularmente adequadas (e mortíferas): «O que o livro acaba por ter de mais profundo é a sua pele, isto é, a sensibilidade “camp” de um “parvenu” que fala do Meio como se fosse um etólogo, mas se revela afinal como o exemplar que mais se oferece a uma etologia da vida literária.»

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    • Maio 21, 2013 14:28

      O texto arrasa mesmo. “My name is Guerreiro. António Guerreiro” 🙂

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  3. Maio 21, 2013 13:04

    Perdiz à Casa Branca; consultai a ementa da pastelaria;)

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  4. Josué permalink
    Junho 4, 2013 12:04

    O Rapaz a Arder é uma mierda sem nome. Não difere nada de uma TV Guia ou coisa parecida. E por isso até pode ser divertido.

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    • Junho 4, 2013 14:16

      “divertido”? está a brincar, certo? 🙂

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