«Avançaram a patinhar até a água dar pela cintura a Sybil. Nessa altura, o rapaz levantou Sybil e pô-la de barriga em cima do colchão.
– Tu nunca pões touca de banho ou coisa assim? – perguntou ele.
– Não largues – ordenou Sybil – Agora agarra-me.
– Menina Carpenter. Por favor. Eu sei o que faço – disse o rapaz. – Só tens de ter os olhos abertos a ver se vês algum peixe-banana. Hoje está um dia ideal para o peixe-banana.
– Não vejo nenhum – disse Sybil.
– Isso compreende-se. Os hábitos deles são muito estranhos… Continuou a empurrar o colchão. A água não lhe chegava bem ao peito. – Levam uma vida muito trágica – disse ele. – sabes o que eles fazem, Sybil?
Ela disse que não com a cabeça.
– Bem nadam para dentro de um buraco onde há uma data de bananas. São uns peixes normalíssimos, quando entram. Mas mal se vêem lá dentro, portam-se como porcos. Caramba, já vi peixes-banana entrarem num buraco de bananas e comerem nada menos que setenta e oito bananas. – Empurrou o colchão e a sua ocupante mais uns metros para o largo. – Claro que depois disso estão tão gordos que não conseguem voltar a sair do buraco. Não cabem na porta.» (p. 22)
Nove contos, J. D. Salinger (Tradução de José Lima, Ed. Difel)