«Ultimamente, estou sempre a ter sonhos de tristeza, sonhos de embriaguez, sonhos de tédio que nunca mais acabam e sonhos que apenas se podem assemelhar aos esforços que, segundo imagino, os poetas fazem na morosa construção dos seus versos. Digo isto sem conhecimento. Não faço a mínima ideia do que seja escrever um poema. Também não faço a mínima ideia do que seja lê-los… Quanto ao que se passa comigo e com a leitura (não sei porque é que estou aqui a dizer isto – afinal, vocês lêem assim tanto?): não posso ler porque me faz doer os olhos. Não posso usar óculos porque me fazem doer o nariz. Não posso usar lentes de contacto porque fico cheio de nervos. Como vêem, cheguei a uma altura em que tive de escolher entre a dor e não ler. Escolhi não ler. Não ler: um grande investimento para as minhas massas.» (pp. 60-61)
Money, Martin Amis (Tradução de P. kings, Ed. Teorema)