Bolachinhas de receita muito antiga
«Os primeiros a chegar ficam sempre com o melhor. Depois de completado o processo de reunificação, os judeus que chegaram à Alemanha foram distribuídos uniformemente por todos os Estados do país. Da Floresta Negra à Turíngia, de Rostock a Mannheim. Cada Estado criou as suas próprias regras para a integração.
Enquanto isso, nós, na nossa confortável residência de Marzahn, íamos ouvindo as histórias mais loucas. Em Colónia, por exemplo, encarregaram o rabi da sinagoga local de testar estes novos judeus para determinar até que ponto eram mesmo judeus. Se ele não assinasse um certificado ao emigrante em questão, não havia nada para ninguém. Perguntou então o rabi a uma velha senhora o que é que os judeus comiam na Páscoa.
– Pepinos – respondeu ela. – Pepinos e folar.
– Onde é que foi buscar essa dos pepinos? – irritou-se o rabi.
– Ah, sim. Agora já sei o que você quer dizer – cortou a senhora, radiante. – Na Páscoa, nós Judeus comemos matza.
– Pois, muito bem, mas bem vistas as coisas, os Judeus comem matza o ano inteiro, por isso também o comem na Páscoa. Mas a senhora ao menos sabe o que é matza? – perguntou o rabi.
– Ah, mas claro! – alegrou-se a senhora. – São aquelas bolachinhas de receita muito antiga que são feitas com sangue de bebés.
Nesse ponto da conversa, o rabi perdeu os sentidos.» (pp. 8-9)
Russendisko – discoteca russa, Wladimir Kaminer (Tradução de Nuno Batalha, Ed. Cavalo de Ferro)


MCS,
com o devido respeito, cale-se, que a malta ainda está a digerir o fim dos manos K., so to say.
um beijinho, in the mean time, if U allow me 🙂
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eheh, só agora pelo seu comentário é que reparei que estava a ler outro russo. Mas neste caso, é um russo contemporâneo a viver em Berlim que escreve em alemão. Daí não o ter associado mentalmente a um escritor russo.
of course you’re allowed, um beijinho também para si.
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