«Ora ouve! O caso passou-se há pouco tempo, numa aldeola do Baixo Egipto, durante as eleições para a junta de freguesia. Quando os funcionários do Governo abriram as urnas, notaram que a maioria dos boletins de voto estava escrito o nome Bargute. Ora os ditos funcionários do Governo não conheciam tal nome, que não figurava na lista de nenhum partido. Inquietos, logo se puseram à cata de informações; e acabaram por saber, pasmados de todo, que Bargute era o nome dum burro por quem toda a gente da aldeia nutria muita estima, por via da sabedoria do animal! Quase todos os moradores tinham votado nele. Que me dizes tu a esta história?» (p. 17)
Mendigos e altivos [Mendiants et Orgueilleux], Albert Cossery (Tradução de Júlio Henriques, Ed. Antígona)