Que me dizes tu a esta história?
«Ora ouve! O caso passou-se há pouco tempo, numa aldeola do Baixo Egipto, durante as eleições para a junta de freguesia. Quando os funcionários do Governo abriram as urnas, notaram que a maioria dos boletins de voto estava escrito o nome Bargute. Ora os ditos funcionários do Governo não conheciam tal nome, que não figurava na lista de nenhum partido. Inquietos, logo se puseram à cata de informações; e acabaram por saber, pasmados de todo, que Bargute era o nome dum burro por quem toda a gente da aldeia nutria muita estima, por via da sabedoria do animal! Quase todos os moradores tinham votado nele. Que me dizes tu a esta história?» (p. 17)
Mendigos e altivos [Mendiants et Orgueilleux], Albert Cossery (Tradução de Júlio Henriques, Ed. Antígona)

Eu diria que já vi essa estória numa novela…
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Eh lá, o que eu ando a perder. Assim, de repente, só me lembro do macaco Tião, mas acho que não foi eleito, nem foi numa novela. Foi mesmo na realidade. 🙂
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Meu caro, a novela é antiga… o jegue (asno;burro;jumento) Rodrigues é o candidato. A cidade: Sucupira. E tudo por causa de um cemitério. Anos 80…
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Ah, pois claro! O Odorico, já nem me lembrava. A minha novela favorita, “O Bem-Amado”. Eia, agora recuei uns anitos, adorava aquilo. Foi um dos meus primeiros compêndios de ciência política 😉
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oh!, “bem me parecia”…o Odorico e “o bem amado”, claro… uma boa novela…não…um compêndio de ciência política…obviamente.
Quanto a Cossery, recomendo humildemente “as cores da infâmia”…
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Esse foi precisamente o primeiro livro que li do Cossery. Eis aqui alguns dos excertos que destaquei:
https://novaziodaonda.wordpress.com/?s=as+cores+da+inf%C3%A2mia
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Fez-me perifericamente lembrar o Zappa: http://www.youtube.com/watch?v=8wAXZuIIbUQ
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Pois 🙂
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