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O percurso de uma patranha

Março 30, 2012

«Que Nozdriov era um mentiroso empedernido, isso toda a gente sabia, e ouvir da boca dele disparates absolutos não era nada de novo; mas um simples mortal… francamente, é difícil perceber como é o simples mortal: por mais soez que seja uma notícia, basta a um simples mortal transmiti-la a outro simples mortal, nem que seja para lhe dizer: “Veja lá que patranha andam a espalhar por aí!”, para o outro simples mortal aguçar com prazer o ouvido, embora diga em resposta: “Mas isso é uma mentirola ordinária que não merece crédito nenhum!”, e logo a seguir irá procurar um terceiro mortal para, depois de lhe contar a patranha, exclamarem ambos, cheios de nobre indignação: “Que mentirola ordinária!” E a notícia correrá toda a cidade, e todos os mortais sem excepção se fartarão de a discutir para, depois, acabarem por concluir que o assunto não é digno de atenção nem de servir de tema de conversa.» (pp. 227)

Almas mortasNikolai Gógol (Tradução de Nina Guerra e Filipe Guerra, Ed. Assírio & Alvim)

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