«A palavra, quando bem dita, é como se fosse escrita: não há machado que a corte. E que certeira é a palavra que sai das profundezas da Rússia, onde não haja tribos alemãs nem finlandesas nem quaisquer outras, mas o castiço e autêntico do intelecto russo, vivo e remexido, sem papas na língua, que não choca as palavras como a galinha com os ovos, mas as talha de um golpe e as dota de um passaporte vitalício, não valendo a pena especificar depois que género de nariz e de boca temos – com um só traço ficamos desenhados dos pé à cabeça.» (pp. 144)
Almas mortas, Nikolai Gógol (Tradução de Nina Guerra e Filipe Guerra, Ed. Assírio & Alvim)