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Como se o livro fosse um passaporte

Fevereiro 22, 2012

«Muitas vezes, os clientes do Condé  traziam um livro na mão, que pousavam de forma negligente na mesa e cuja capa se encontrava manchada de vinho. Os Cantos de Maldoror, Iluminações, Les Barricades Mystérieuses. Mas ela, de início, andava sempre de mãos abanar. E depois, quis com certeza fazer como os outros e um dia, no Condé, surpreendia-a sozinha, a ler. A partir daí, o livro nunca mais a largou. Pousava-o bem em evidência no tampo da mesa, quando se encontrava na companhia de Adamov e dos outros, como se o livro fosse um passaporte ou uma autorização de residência que legitimava a sua presença ao lado dos outros. Mas ninguém lhe prestava atenção, nem Adamov, nem Babilée, nem Tarzan, nem la Houpa. Era um livro de bolso, de capa suja, daqueles que se compram em saldo nos cais e cujo título estava impresso em grandes caracteres vermelhos: Horizonte Perdido.» (pp. 10)

No Café da Juventude PerdidaPatrick Modiano (Tradução de Isabel St. Aubyn, Ed. Asa)

[imagem: “Couple in a bar” © Dennis Cooper/Corbis]

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