«IN MEMORIAM
Em memória de quem
os versos? Dos outros
seria cristão mas
mentira, de si mesmo
era esforço demais
para motivo assim
pouco, memória talvez
de abstracções biográficas
simples, partilháveis,
ou então em memória
apenas dos versos, em
memória da memória.
ÁLIBI
Noite cerrada, sou acordado pelos flashes fotográficos
de há muitos anos, como se alguém murmurasse
na mesa de cabeceira. No pavor
de lembrar nitidamente tudo
a madrugada será o álibi para equecer.
NO MEIO DA RUA
No meio da rua,
esquecido de tudo
a memória involuntária
é horrível e feliz.
(…)
Em Memória, Pedro Mexia (Ed. Gótica)