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Rilke no Museu Rodin

Janeiro 30, 2012


(c) MCS

«Num café perto do Museu Rodin, em Paris, leio com dificuldade uma edição de bolso da tradução em alemão por Rainer Maria Rilke dos sonetos de Louise Labé, uma poetisa quinhentista de Lyon. Rilke trabalhou como secretário de Rodin durante vários anos, vindo a tornar-se amigo do escultor e a escrever um ensaio admirável sobre a arte do velho senhor. Viveu durante uns tempos no edifício que viria a ser o Museu Rodin, num quarto cheio de luz, com estuques ornamentais e vistas para um jardim francês pouco cuidado, lamentando algo que ele imaginava estar para além do seu alcance – uma certa verdade poética que gerações de leitores desde então têm acreditado poder encontrar na escrita do próprio Rilke. O quarto era um dos seus muitos alojamentos temporários, de hotel em hotel e de castelo em castelo sumptuoso. “Nunca esqueças que a solidão é o meu destino”, escreveu ele da casa de Rodin a uma das suas amantes, tão transitórias como os seus quartos. “Imploro àqueles que me amam que amem a minha solidão.”» (pp. 263)

Uma história da leitura [A history of reading]Alberto Manguel (Tradução de Ana Saldanha, Ed. Presença)

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