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Literatura nas viagens

Janeiro 12, 2012

«Sentada à minha frente no metro em Toronto, uma mulher lê a edição da Penguin de Labirintos, de Borges. Apetece-me interpelá-la, acenar-lhe, fazer-lhe sinal de que também pertenço à mesma fé. Ela, cujo rosto esqueci, em cujas roupas mal reparei, de quem não sei sequer a idade, está mais próxima de mim, pelo mero acto de segurar nas mãos aquele livro em particular, do que muitas outras pessoas que vejo diariamente. Uma prima minha de Buenos Aires, como tinha consciência clara de que os livros podiam funcionar como emblema, um sinal de aliança, escolhia sempre o livro que levava em viagem com o mesmo cuidado com que escolhia a mala de mão. Não viajava com Romain Rolland, porque achava que lhe daria um ar excessivamente pretensioso, nem com Agatha Christie, porque a faria parecer demasiado vulgar. Camus era próprio para uma viagem curta. Cronin para uma mais longa; uma história policial por Vera Caspary ou Ellery Queen era aceitável para um fim-de-semana no campo; um romance de Graham Greene era adequado para viagens de barco ou de avião.» (pp. 220)

Uma história da leitura [A history of reading]Alberto Manguel (Tradução de Ana Saldanha, Ed. Presença)

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2 comentários leave one →
  1. Janeiro 18, 2012 11:49

    A mim apetece-me sorrir a certas pessoas de acordo com a bagagem de leitura que transportam. É irresistível…

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    • Janeiro 18, 2012 15:14

      Sim, sentimo-nos em casa quando viajamos ao lado de alguém que lê.

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