“Paris, os Passeios de um Flâneur”
«Paris é uma grande cidade, no sentido em que Londres e Nova Iorque são grandes cidades e Roma é uma aldeia, Los Angeles uma colecção de aldeias, e Zurique província.
Um amigo meu mais afoito define uma grande cidade como um local onde há negros e edifícios altos e em que se pode andar toda a noite numa roda-viva. Se levarmos em conta esta definição, teremos de reconhecer que, em Paris, há uma escassez de edifícios altos; embota tenha lançado (nos anos sessenta e início dos setenta) um projecto que visava encher Paris de arranha-céus, o Presidente Pompidou apenas conseguiu desfigurar o histórico traçado de telhados da cidade com as mal atamancadas torres de uma extensão universitária, Paris VII em Jussieu (encerrada há pouco tempo por se encontrar copiosamente isolada com amianto), a aterradora Tour Montparnasse – e o desolado deserto de La Défense, a zona de escritórios.»
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Paris, os Passeios de um Flâneur, Edmund White (Tradução de José Vieira Lima, Ed. Asa)
