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A Paixão de Falar

Janeiro 22, 2010

«Hipócrita Leitor! Quantas vezes não disse, ou mesmo escreveu, que é fundamental ler os clássicos, se bem que tivesse sempre aquela reserva de que eles seriam um pouco aborrecidos, difíceis de acesso, desmotivadores? Mas então o Calvino não disse…? Disse, mas nós continuamos com essa ideia de que os “clássicos” são aqueles que se estudam nas “classes”, e está provado que as crianças até gostam de ler até que a experiência das leituras obrigatórias, gramaticalizadas, formatadas escolarmente, as desvia das boas leituras, e elas passam para outras formas de expressão artística que escapam à domesticação escolar (a música, o cinema). Mas quer isso dizer, preguiçoso leitor, que nós lemos e não precisamos de qualquer coisa que nos ajude a ler melhor, a mão de um amigo a que chamamos “crítico”, uma mediação? Um “amigo crítico” não será uma contradição nos termos? Isso é pergunta de autor, molestado por objecções e desconsiderações, não de um leitor. Porque o leitor não nasceu a saber ler. Foi-se formando na arte de ler, como o foi na arte de ver, falar, tocar, amar – é o famoso programa da educação dos sentidos no qual o humano se forma como humano, ou mais humano, sempre mais humano. (…)»

Eduardo Prado Coelho (do prefácio de “Jacques o Fatalista”, Denis Diderot, Ed. Tinta Permanente)

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