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‘Dora Bruder’

Setembro 30, 2009

«Há oito anos, num velho jornal, o Paris-Soir, datado de 31 de Dezembro de 1941, dei na página três com uma rubrica: ‘De ontem para hoje’. Já quase no fim, li:

PARIS
Procura-se uma rapariga, Dora Bruder, 15 anos, 1m 55, rosto oval, olhos cinzento-acastanhados, casaco desportivo cinzento, camisola em tom Bordeaux, saia e chapéu azul-marinho, sapatos leves castanhos. Endereçar todas as indicações ao Sr. E à Sr.ª Bruder, Alameda Ornano, n.º 41, Paris.

Conheço, desde há muito, o bairro da Alameda Ornano, pois em criança acompanhava a minha mãe à feira da ladra de Saint-Ouen. Apeávamo-nos do autocarro na Porta de Clignancourt e às vezes em frente do edifício da 18.ª circunscrição. Era sempre ao sábado ou ao domingo à tarde.
No Inverno, lá estava o homem em pleno passeio da avenida ao longo do quartel de Clignancourt: víamo-lo especado entre o caudal dos transeuntes com o seu aparelho de tripé; era gordo; de nariz grumoso e óculos redondos e propunha uma ‘fotografia de recordação’. No Verão, postava no estrado de Deauville, diante do Bar do Sol, para encontrar clientes. Mas aqui, na Porta de Clignancourt, os passantes não pareciam querer tirar o retrato. Vestia um sobretudo velho e um dos sapatos estava esburacado.»
(…)
Dora Bruder, Patrick Modiano (Tradução de G. Cascais Franco, Ed. Asa)

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