Skip to content

“Soldadó”

Setembro 7, 2009

«Esta é a história de Fergusino do Ó, um dos milhares de pobres diabos convocados para defender as longínquas fronteiras do Império.
Fergusino do Ó não sabia ler nem escrever e, como alguém disse, não pertencia ao conjunto da humanidade responsável pelas descobertas, mas, levado por mão invisível, que sempre acreditou ser a dos omnipresentes sargentos, chegou a Mueleka – a terra da guerra – encarrapitado numa Berliet, após uma viagem de mais de dois meses.
Era básico, isto é não possuía as mínimas habilitações para especialista do que quer que fosse. No entanto serviu com a melhor boa vontade como pau para toda a obra. Foi cangalheiro, sacristão, fiel de armazém, projeccionista de filmes pornográficos, estivador e até piloto e guarda-costas de cíclicas excursões de prostitutas, vindas para animar os infortunados guerreiros.
Na tropa chamavam-lhe Soldadó e, para ele, Mueleka – a irreparável guarnição – foi o melhor sítio que jamais conheceu.»

Soldadó, Carlos Vale Ferraz (Ed. Editorial Notícias)

Anúncios

Preencha o vazio:

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: